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Participou da preparação do Congresso da UNE em Ibiúna.

A eleição da nova direção da União Nacional dos Estudantes seria fundamental para decidir o futuro do movimento estudantil.

Segundo o blog de Vladimir Palmeira.

Veja texto abaixo

 

A queda de Ibiúna

São Paulo, 12 de outubro de 1968

Cerca de mil estudantes haviam comparecido ao 30º Congresso da UNE. O encontro acontecia num sítio, na cidade de Ibiúna, localizada a 70 Km de São Paulo.

Com poucos alojamentos, sem muita estrutura, muitos estudantes dormiam no chão de barro, em barracas improvisadas, em meio à lama, por causa do tempo chuvoso.

A eleição da nova direção da União Nacional dos Estudantes seria fundamental para decidir o futuro do movimento estudantil.

A luta pela presidência estava especialmente acirrada. Vladimir Palmeira apoiava José Dirceu, ex-presidente da UEE de São Paulo. Luiz Travassos dava sustentação à Jean Marc, ex-presidente do centro acadêmico da Faculdade de Química da UFRJ.

De acordo com Franklin Martins, a linha de Travassos seria derrotada, como já vinha acontecendo na maioria dos congressos regionais.

– A UNE está sem qualquer organização real e isso já vinha de antes dos tempos do Travassos. Ela não é respeitada em diversos estados importantes. Acreditamos que o José Dirceu possa lhe dar a mesma organização que promoveu a UEE de São Paulo, onde esmagou a corrente travassista representada por Catarina Meloni, declarou, conforme matéria da Revista Veja.

Porém, a polícia ficou sabendo da localização do Congresso, planejando a invasão ao sítio bem cedo pela manhã, antes que houvesse a realização da eleição. Inúmeros soldados da PM e do DOPS chegaram atirando com balas de festim.

Muitos universitários ainda dormiam nas barracas, outros tomavam café, todos foram pegos de surpresa. Não houve resistência.

Rapazes e moças saíram enrolados em cobertores, sujos de lama, andando pelas ruas até a Cooperativa Agrícola de Cotia, onde aguardavam ônibus, caminhões e kombis, que os levariam até a cidade de São Paulo.