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Em 1969, ingressou na USP. Na Universidade, participou da resistência cultural especialmente com o Teatro Jornal, método de criação teatral coletiva a partir de notícias jornalísticas, que ele conhecera no Arena quando secundarista. Adriano Diogo ajudou a montar grupos, a elaborar peças e a atuar. Entre os assuntos que abordou, estavam a Transamazônica, o assassinato do operário Olavo Hanssen no DOPS/SP e a Guerra do Vietnam.

Propúnhamos a formação de novos grupos. Virou uma febre! O pessoal achava que o teatro jornal era um teatro de guerrilha, achava que éramos malucos, que nem éramos mais legalizados. E a gente era da escola, ia todo dia à aula! Não fazíamos propaganda da luta armada, mas enfrentamos a ditadura de um jeito tão maluco… Você não imagina o quanto eu apanhei na tortura por causa do Teatro Jornal!

Nessa época, conheceu Alexandre Vannucchi Leme, que escreveu um artigo sobre a rodovia, com informações do grande geógrafo Aziz Ab’Saber. Adriano Diogo escreveu a peça Transa-Amazônica, em que interpretou Delfim Netto por sugestão de Augusto Boal, que ainda estava no Brasil. A morte de Olavo Hanssen foi encenada na Escola de Medicina Experimental, na sala de anatomia: “O jornal O Estado de S.Paulo transcreveu o laudo e listou quais ferimentos e contusões Hanssen tinha sofrido […] O grupo leu a transição do laudo e recompôs a morte como podia em meio aos cadáveres da escola”.

 

 

Veja mais sobre as inspirações desta época no excelente acervo do site sobre  Augusto Boal